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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Expedição de Martim Afonso de Souza: A tentativa portuguesa de colonizar o Rio da Prata


Em 1530, o rei de Portugal D. João III, descobriu a existência de uma serra de prata no território espanhol da América do Sul. Através de dois degredados, ficou sabendo que a tal serra era território do rei Branco, sendo possível alcançá-lo por terra saindo de São Vicente ou pelo rio da Prata.

O rio da Prata ficava em território espanhol, por isso D. João III pretendia alcançar a serra da prata por terra partindo de São Vicente, chegando até o rio Paraná, onde um afluente levava até o território do rei Branco. Foram gastos 1/3 do PIB português para financiar a expedição que ficou sob o comando de Martim Afonso, amigo de infância de D. João III.

Na verdade, a expedição tinha quatro objetivos, que eram: Combater os franceses,  fundar fortalezas no limite sul do território português, explorar o rio da Prata e explorar o rio Amazônas, conhecido na época como Maranón. No dia 03 de dezembro de 1530, partiu de Lisboa a frota comandada por Martim Afonso, composta por um galeão, duas naus (navios) e duas caravelas, levando cerca de quatrocentas pessoas.
  
O território do rei Branco ficava localizado na atual cidade de Potosí, na Bolívia. O rei Branco era o imperador Inca Huayna Capac e na época do "descobrimento" já havia morrido e seus dois filhos travavam uma guerra cívil. A serra da prata realmente existiu, dela foram extraidos 6.000 metros cúbicos de prata, depois que ela foi descoberta pelos espanhoís em 1545.   

No dia 31 de janeiro de 1531, a frota de Martim Afonso chegou no atual pontal da Boa Vista, em Pernambuco e avistou duas naus francesas. Temendo represálias, os tripulantes de uma das naus fugiram para a praia e se refugiaram entre os nativos da nação Pontiguar. A outra fugiu pro norte e Martim Afonso mandou o comandante Pero Lopes atrás dela. (Diário de Bordo de Pero Lopes)

No amanhecer do dia 02 de fevereiro, Pero Lopes alcançou e capturou os franceses. No combate seu navio foi destruido, sendo substituido pelo o navio francês que além dos trinta contrabandistas aprisionados, ainda tinham 2.768 toras de pau-brasil.

Quando Martim Afonso reencontrou com Pero Lopes no dia 24 de fevereiro, enviou o navio francês de volta pra Portugal, sob o comando de João de Sousa. O piloto do navio francês capturado era português e Martim Afonso mandou enforcá-lo por traição.

Depois, enviou o capitão Diogo Leite para explorar o rio Maranón ao norte. O navio passou pelo cabo São Roque, no Rio Grande do Norte, até a ilha de Marajó, no Pará. Chegaram na foz do rio Gurupi, e por ele alcançaram o rio Amazônas, retornando pra Portugal em seguida com a notícia da descoberta do gigante rio.

Embora tivesse perdido um navio e não ter conseguido água potável, pois os Pontiguar não deixaram seus homens descer em terra, Martim Afonso estava tendo sucesso na expedição. Já havia combatido os contrabandistas franceses e explorado o rio Amazônas. Então no dia 01 de março de 1531, Martim Afonso navegou sentido sul, rumo ao rio da Prata.

No dia 13 de março, a frota de Martim Afonso, agora composta por uma nau capitânea, um galeão e a nau francesa entrou na baía de Todos os Santos. Havia no local uma feitoria abandonada em 1525. Quando pissaram em terra, encontraram o naufrago português Diogo Álvares; o Caramuru, vivendo onde hoje está o Farol da Barra, na cidade de Salvador, na Bahia.

O Caramuru já vivia entre os índios Tupinambá a 20 anos, sendo casado com a filha do chefe Itaparica, seu nome era Paraguaçu e eles tinham dezenas de filhos e netos. Assim, Martim Afonso e seus homens foram bem recebidos. permanecendo no local até o dia 27 de março de 1531, quando partiu rumo ao rio da Prata.

Na manhã do dia 30 de abril de 1531, a frota de Martim Afonso chegou na atual baía de Guanabara. Ao se instalar no local, Martim Afonso deu ordem pra levantar uma construção sólida de toras na atual praia do Flamengo. Dentro construiu uma ferraria, uma casa forte e um estaleiro.

O provedor da armada, Henrique Montes, foi encarregado de obter mantimentos para dois anos. Enquanto Montes conseguia negociar com os Tupinambá, peixe seco, milho, mandioca e frutas; por anzoís, facões e machados. Quatro de seus homens foram em uma expedição de reconhecimento pelo sertão.

Os homens de Martim Afonso, cruzaram a serra do Mar e a serra da Mantiqueira, alcançando o vale do Paraíba até chegar no atual planalto paulista na Grande São Paulo, conhecido na época como campos de Piratininga. Os homens foram bem recebidos pelo chefe Tibiriçá que os acompanhou na viagem de volta até o Rio de Janeiro.

No começo de julho de 1531, o chefe Tibiriçá foi apresentado com toda formalidade a Martim Afonso. Nessa oportunidade, Tibiriçá confirmou a história sobre o rei Branco e a serra de prata que segundo os nativos ficava localizado no afluente do rio Paraguai e seu povo possuia muito ouro e prata eram conhecidos como Inca.

Após três meses obtendo mantimentos, Martim Afonso decidiu ir embora. No dia 1 de agosto de 1531, seus navios chegaram a ilha de Cananéia,  no litoral sul, limite do território português. O marujo Pedro Annes, era um ex-naufrago e conhecia os nativos da região, ele foi enviado em um bote para vistoriar a região.

No dia 17 de agosto, ele retornou trazendo consigo o misterioso Bacharel de Cananéia e mais cinco castelhanos, eles eram sobreviventes de uma expedição ao território da serra de prata, realizada no ano de 1526. Um dos castelhanos chamado Francisco de Chaves, afirmou a Martim Afonso que com alguns homens era possível conquistar o território Inca por terra e voltar com cerca de quatrocentos escravos.

Assim, no dia 01 de setembro de 1531, Chaves e o capitão Pero Lobo que estava no comando de oitenta homens fortemente armados, partiram de Cananéia, pela trilha do Peabiru, em busca do território inca. A trilha do Peabiru era território da nação Carijó, inimiga dos Tupinikin que eram aliados dos portugueses. Mesmo ciente dos riscos, Martim Afonso cedeu 20% de seus homens e ficou esperando por quase um mês e partiu sentido o rio da Prata, sem ter notícias de seus homens.

Navegando para o sul, Martim Afonso cruzou o porto dos Patos no dia 29 de setembro, um bergantim se perdeu da frota devido o mal tempo. No dia 01 de outubro a frota cruzou a atual Laguna-SC com dificuldades devido a correntezas traiçoeiras. E no dia 16 de outubro, chegaram na atual cidade de Punta del Leste, no Uruguai e ficaram aguardando o bergantim desaparecido.

No final de outubro a frota zarpou para explorar o rio da Prata, antes deixou uma carta com ordens a fazer para os homens do bergantim, caso eles chegassem até lá. Martim Afonso e seus homens enfrentaram uma forte tempestade e a nau capitânea naufragou com todos os mantimentos que haviam estocado para dois anos. Quando chegaram na praia, encontraram um bergantim abandonado em perfeito estado.

A região do atual Uruguai, era território dos nativos da nação Charrua. Desde o primeiro contato, os Charrua mostraram-se amistosos e ajudaram Martins Afonso e seus homens a se recuperarem do naufrágio. No dia 05 de novembro de 1531, Martim Afonso decidiu que um grupo composto de trinta homens iriam explorar o rio da Prata sob o comando de Pero Lopes.

O grupo de Pero Lopes chegou até a atual cidade de Barradero, na província de Rosário na Argentina e fincou dois "padrões" portugueses e na viagem de volta sofreram um naufrágio. Era véspera de natal de 1531, os homens chegaram na margem esquerda do Prata e conseguiram recuperar a embarcação.

Já Martim Afonso e os outros homens foram até o delta do rio Paraná e fincaram dois "padrões" requerendo a soberania lusa sobre a região. Porém, Martim Afonso, após longo estudo confirmou que aquela região era território da Espanha. No dia 27 de dezembro, Pero lopes reencontrou com Martim Afonso. O grupo partiu no dia 01 de janeiro de 1532, de Punta del Leste.

A frota não tinha mantimentos e homens o suficiente para explorar o rio da Prata e alcançar a serra de prata no território do rei Branco. Era o fim da tentativa de alcançar a região pelo rio da Prata, a unica solução para Martim Afonso e seus homens era o caminho por terra através do Porto dos Escravos, como era conhecido São Vicente.

Ao chegar no porto dos Patos, localizado no continente em frente de Florianópolis, no dia 04 de janeiro de 1532, Martim Afonso enviou um grupo de busca pra localizar o bergantim desaparecido e seguiu para o norte. A frota chegou em Cananéia no dia 08 de janeiro, arrumou os navios e os abasteceram com mantimentos e água potável. Antes de partir, Martim Afonso entrou em contato com o Bacharel, ele era aliado dos Carijó.

A frota de Martim Afonso chegou em São Vicente no dia 22 de janeiro de 1532, encontraram um grupo de naufragos e degredados que sobreviviam de tráfico de escravos sob o comando de João Ramalho e Antônio Rodrigues, e seus cativos eram nativos da nação Carijó, inimigos dos Tupinikin do líder Tibiriçá.

Estavam presente também o próprio Tibiriçá, chefe da aldeia de Piratininga, na atual região do centro da Capital-SP; o Piquerobi, irmão de Tibiriçá que era chefe da aldeia Ururaí, na atual São Miguel Paulista, zona leste da Capital-SP e o Caiubi, chefe da aldeia Jerubatuba, no atual bairro de Santo Amaro, zona sul da Capital-SP. O João Ramalho era genro de Tibiriçá e Antônio Rodrigues era genro do Piquerobi.

Através de João Ramalho, Martim Afonso foi conduzido a Piratininga. Concluiu que era mais fácil chegar no território Inca através do rio Tietê,  indo até o rio Paraná e de lá até o rio Paraguai, onde um afluente levaria até os Inca. Quando voltou a São Vicente, Martim Afonso estava decidido a fundar duas vilas. Uma em São Vicente e a outra em Piratininga, e através delas partir para a conquista do território Inca.

Em setembro de 1532, Martim Afonso ainda não tinha notícia dos homens da expedição de Pero Lobo. Desconfiado do Bacharel de Cananéia, Martim Afonso deu ordens pra que os castelhanos entregassem o Bacharel pra esclarecer o paradeiro de Pero Lobo. Porém os castelhanos não reconheciam a soberania de Portugal e se negaram a entregar o Bacharel.

Sem que os europeus soubessem, os espanhoís através de Francisco Pizarro conquistava o império Inca em novembro de 1532. Pizarro precisou de apenas 153 homens e 27 cavalos para derrotar o rei Branco. No mês de janeiro de 1533, João de Souza voltou de Portugal com uma carta do rei D. joão III, concedendo amplos poderes a Martim Afonso.

Vizando uma nova expedição, Martim Afonso concedeu sesmaria para os degredados João Ramalho, Henrique Montes e ao Bacharel da Cananéia. Nos fins de maio de 1533, Martim Afonso partiu rumo a Portugal, autorizou a permanência de 150 homens, ficando 100 homens em São Vicente e 50 homens em Piratininga. Na primeira quinzena de Agosto de 1533, Martim Afonso chegou em Portugal.

O rei D. João III, fez de Martim Afonso Capitão-Mor do mar da Índia no dia 19 de dezembro de 1533, com ordens de partir imediatamente para o norte da Índia. No dia 14 de janeiro de 1534, o explorador Fernando Pizarro chegou na Espanha com a notícia da conquista do império Inca.

Chegava ao fim o sonho dos portugueses de conquistar a serra da prata do rei Branco. Os portugueses gastaram 1/3 do seu PIB do país pra realizar a expedição. Conseguiram combater os contrabandistas franceses, exploraram o rio Amazônas, fundaram feitorias no limite sul do território luso, mais o grande objetivo não foi alcançado: Conquistar o rio da Prata.

Depois que os espanhoís conquistaram o império Inca, os portugueses não se interessaram mais por São Vicente e Piratininga. A região voltou a ser dominada pelos nativos da nação Tupinambá, Tupinikim e Carijó, sob o comando dos degredaos e naufragos, como João Ramalho, Bacharel da Cananéia e Diogo Álvares, o Caramuru. Se passariam duas décadas pra que a Coroa portuguesa enviassem outra expedição ao Brasil.  Mais essa seria para a colonização do Brasil.

..:: Fontes

Livro: Capitães do Brasil - A saga dos primeiros colonizadores, de Eduardo Bueno. Coleção Terra Brasilis: volume III - Editora Objetiva, Rio de Janeiro-RJ, 1999.

Livro: Novo Atlas de Geografia do estudante/ de Gisele Girardi e Jussara Vaz Rosa. - São Paulo. Editora FTD, 2008. 

Site: pt.wikipedia.org


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(fatos_históricos)



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