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segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Bolha do Turismo: Case Copa 2014 e Olimpíadas 2016

Por..:: Renato Marchesini

Estamos ultimamente participando de alguns eventos, onde muito se fala das oportunidades e benefícios dos grandes eventos esportivos que o Brasil está por receber. Está sendo bem comum escutar de alguns a visão da multplicação dos pães. Não condenamos os positivistas, não queremos ser pessimistas, somente buscamos ser realistas e analisar a história e observar os fatos.

As expectativas favoráveis de crescimento do turismo mundial nas projeções das chegadas e gastos do turismo internacional estão atribuídas à formação de uma nova bolha de otimismo no setor e da moeda de conversão utilizada. Não há dúvidas que a leitura fica novamente tendenciosa, porém vale ressaltar a instabilidade econômica dos países considerados ricos, desta forma devemos ter um tratamento especial numa avaliação futura.

A realização de grandes eventos esportivos que promovam a imagem do país no exterior não é garantia de desenvolvimento econômico e turístico sustentável. Sem planejamento adequado por parte do Poder Público, Iniciativa Privada e participação popular nas decisões, eventos como a Copa do Mundo de 1014  e as Olimpíadas de 2016  podem se transformar em bolhas turísticas, que geram forte demanda imediata, seguida por oferta ociosa posterior e sem ganhos sociais. O ganho pode ser apenas imediato “impactos temporários e de efeitos limitados” .
  
Antes que essa bolha se confunda como a "galinha de ovos de ouro" como  possa ser confundida com uma meta de crescimento, devemos comparar e refletir sobre alguns cases de grandes eventos esportivos: 
Os Jogos Pan-Americanos de 2007 é um exemplo a não ser seguido, pois as promessas de legados sociais para os bilhões de reais investidos não se confirmaram. Pois dados atuais mostram que as praças esportivas construídas não representam um legado positivo, são infames os resultados destes "tais" futuros centros de desenvolvimento do esporte no Brasil.

Como exemplos positivos as cidades de Barcelona, na Espanha, sede das Olimpíadas de 1992, e de Seul, na Coreia do Sul, sede das Olimpíadas de 1988, que conseguiram traduzir em ganhos urbanísticos e sociais permanentes os investimentos nos jogos.

O fato é que em países, principalmente os ricos, o investimento na estrutura dos eventos fica apoiado na iniciativa privada, o que não ocorre no Brasil, onde o encargo acaba nas mãos do Poder Público.

As obras necessárias à realização da Copa 2014 seguem, em etapas e ritmos distintos. As obras dos estádios caminham relativamente bem, em maior ou menor grau. Certamente, o Brasil terá 12 estádios prontos para a Copa da Fifa (alguns, provavelmente na véspera da abertura do campeonato mundial de futebol). Mas as demais obras de infraestrutura - que do ponto de vista da população são as mais importantes, já que constituem o legado de longo prazo ao país - ainda patinam em sua maior parte. Isto após mais de quatro anos da confirmação do Brasil como sede da Copa 2014, em outubro de 2007. O nome do problema é falta de planejamento, para o qual houve tempo mais do que suficiente para ser feito, e bem desenvolvido.

É bem possível acontecer medidas paliativas para sanar atrasos e ineficiências de projeto "uma colcha de retalhos" 

Outro assunto assustador é obras orçadas em R$ xxxxx,  fica duas, três,.... vezes mais caro .. Superfaturamento ou Erros de calculo de projeto? faça suas conclusões!

O setor mais ilustrativo dessa falta de planejamento reside nos aeroportos. Em segundo lugar, as obras de mobilidade urbana. Não por acaso, esses são dois pontos fundamentais para a percepção que os mais de 600 mil turistas estrangeiros terão sobre o Brasil em 2014. No caso dos aeroportos, a atual situação beira o colapso, pois a maioria dos terminais aeroportuários brasileiros opera bem acima da sua capacidade.

Estima-se que menos de 10% dos destinos turísticos brasileiros estão próximos de atender a todos os requisitos para serem considerados sustentáveis. modelos de cluster de turismo, por atender pré-requisitos de práticas sustentáveis como uso de tecnologias limpas e alternativas, preservação de ecossistemas e modelo de gestão compartilhada entre Estado, Empresas e Comunidade local.

E observamos que muitos "destinos" turísticos caminham na contramão do turismo sustentável. A harmonia, o equilíbrio, enfim, a sustentabilidade,  continuam dependentes de uma politicagem que só existe para as verbas eleitoreiras e publicitárias. Situação esta que gera  especulação imobiliária, turismo sexual, exploração da mão de obra nativa e degradação dos ecossistemas e culturas.  

Para ser classificado como sustentável, o destino turístico deve atender a requisitos de práticas políticas e ações transversais que levem em conta, sobretudo, a comunidade local, observando preservação de ecossistemas, tradições e resgate das raízes culturais, da identidade cultural do lugar, oportunidade de geração de emprego e renda realmente inclusiva, e não maquiada com sub-empregos ou empregos temporários, que só exploram a mão de obra local e alimentam demandas estimuladas por pacotes e campanhas publicitárias que seduzem e encantam, sem o compromisso de garantir estruturas para o bem estar de quem chega e de quem recebe.

No turismo, por sua vez, outros índices deveriam ser considerados na fórmula de crescimento. Nessa contabilidade pesa as inovações tecnológicas, o capital humano que produziam efeitos positivos ao crescimento. Essa variável social envolve ações de comunicação, articulação e mobilização, com pesquisas, levantamento de dados, registros fotográficos, depoimentos, questionários, entrevistas, entre outras ferramentas da comunicação. Esforços estes para que não se transforme numa grande “mina de ouro de tolo”.
  
 Essas ações fortalecerão o que os especialistas chamam de modelo de desenvolvimento endógeno, com mobilização social, participação comunitária, estímulo ao potencial empreendedor, inclusão social e, conseqüentemente, desenvolvimento da comunidade local.

Não adianta fazermos grandes eventos esportivos e falar de um legado, se não se construir estrutura nas escolas, nas praças, nos clubes para que as crianças se desenvolvam. Isso deve estar articulado a um projeto de base ao esporte para todas as pessoas interessadas.
  
A atenção recai às metodologias, apontadas como as promotoras da contradição sobre o processo de crescimento sustentado do turismo brasileiro. Outros aspectos vão influenciar no tamanho da “bolha do turismo”,  que sem dúvida compõem um mapa paralelo.

Ainda observamos ser uma incógnita se a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 trarão ganhos reais para o Brasil. “Não é automático, o país tem que ter uma política para isso. Eventos dessa natureza não têm esse poder mágico, como querem nos fazer acreditar, de que só isso é suficiente. É possível que se gere grandes expectativas nas pessoas, mas é preciso que as administrações privilegiem o planejamento e a continuidade de projetos que ultrapassem o horizonte de uma administração, ou seja, projetos com visão de longo prazo. Afinal, o futuro virá inexoravelmente, e ele será tanto mais próximo do que idealizamos, e tanto mais distante do que NÃO queremos, quanto melhor o definirmos hoje, através de planos e projetos, seguidos de ações coerentes e continuadas.. Não nos parece que isso está acontecendo no Brasil.”

É hora de uma mudança ideológica, tal importância que inclusive influenciou a criação do Código de Ética Mundial do Turismo e o compromisso na redução da desigualdade e da pobreza, e nos puxa ao centro dos debates e à realidade de nosso promissor Brasil.

(turismo, recicle suas idéias)




Comentários
1 Comentários

1 comentários:

  1. Olá,

    Muito pertinente seu artigo, falando ainda em planejamento, o que não houve com certeza, pois ao escolherem as cidades ou estados da copa deveriam avaliar as que pelo menos tem time de futebol, assim, depois dá pra usar os mega estádios, faltou logística e nem temos infraestrutura adequada, o Brasil é um país imenso, deveriam ter priorizado os estados onde pelos menos tem futebol e os mais próximos, já que não iam cuidar dos aeroportos mesmo, das estradas e nem investir em transporte público de qualidade.......

    Parabéns a todos!

    Cabral

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