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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Coruja Suindara Tyto furcata (Temminck, 1827).

 Ordem: Strigiformes | Família: Tytonidae | Politípica (5 subespécies)

Indivíduo adulto. Foto: Willian Menq

Espécie abundante e amplamente distribuída nas Américas. Vive em uma variedade de habitats abertos e semiabertos, durante o dia pode ser encontrada dormindo ou nidificando em torre de igrejas, edifícios e sótão de casas. De noite, pode ser observada voando baixo ou pousada em postes ou mourões de cercas ao longo de estradas. É uma especialista na captura de pequenos roedores, que localiza através de um poleiro ou voando baixo sobre a vegetação. Conhecida também como rasga-mortalha, coruja-de-igreja e coruja-das-torres.

Descrição: Possui de 29-44 cm de comprimento, envergadura de asas de 75-110 cm, peso médio de 470 g (macho) e 570 g (fêmea). Aparência inconfundível, adulto apresenta o dorso-cinza ou pardo, com partes inferiores branca e íris escura. A característica mais marcante é seu disco facial em forma de coração, branco bordeado de marrom-ferrugem. Sexo parecido, macho costuma apresentar o ventre branco puro enquanto que a fêmea apresenta o peito mais manchado (creme ao marrom-claro).

Vocalização: Em voo emite um chamado muito forte e característico, algo como “chraich”, como um pano rasgando. Um sibilar rítmico é emitido no local em que dorme durante o dia.

Taxonomia: Tyto furcata é um táxon que foi desmembrado de Tyto alba (split) devido as consideráveis diferenças genéticas com o táxon do Velho Mundo (Wink et al. 2008).

Dieta e comportamento de caça: Alimenta-se principalmente de roedores e invertebrados. De forma mais rara, caça morcegos, pequenos marsupiais, anfíbios, répteis e aves. Caça principalmente nas primeiras horas da noite ou antes do amanhecer. Localiza suas presas a partir de um poleiro ou voando baixo em áreas abertas. As técnicas de caça e horários variam de acordo com o habitat, nível de ruído do ambiente, níveis de luz e vento.

É uma especialista na captura de roedores. No Brasil, segundo Motta-Junior et al. (2010), para um período de um ano, estima-se que um casal de suindaras consome entre 1720 e 3700 ratos, e entre 2660 e 5800 insetos (besouros, esperanças e grilos).

No estômago, há a separação dos pêlos, ossos e outras partes não digeríveis, as quais formam pelotas, posteriormente regurgitadas em seu pouso tradicional. A análise dessas pelotas indica o alimento ingerido pela espécie. Por esse método, descobriu-se no interior de São Paulo, que duas suindaras mudavam seu alimento conforme a época do ano. No período do inverno, cerca de 90% das pelotas era formada por restos de roedores e 7% de gafanhotos. Já no verão, o inverso. 

Roda (2006) estudou a dieta da T. furcata na Estação Ecológica do Tapacurá, Pernambuco. A autora revelou que, das 93 presas capturadas, os roedores dominaram com 71,0%, seguidos de morcegos (17,2%), marsupiais, (9,7%), aves (1,1%) e insetos (1,1%). Segundo Yalden e Morris (1990), os morcegos são raros na dieta da T. furcata. No trabalho de Roda (2006) os morcegos Molossus molossus teve uma alta taxa de predação neste estudo, provavelmente foram predados quando estavam agrupados em edificações próximos aos pousos noturnos da suindara, já que tais morcegos possuem um voo em ziguezague o que dificulta a caça aérea.

Reprodução: Em áreas urbanas nidifica em forros e sótão de casas, celeiros, abrigos abandonados e torre de igrejas. Em ambientes naturais, usa ocos de árvores e fendas de rochas para nidificar. Coloca, em média, de 4 a 7 ovos que são incubados durante aproximadamente 32 dias. Dentro de 50 dias os filhotes já estão aptos a voar, normalmente não se separam de seus pais até os 3 meses de vida. Após aprender as habilidades de caça, se afastam do território do ninho. Em cerca de 10 meses as aves mais novas já estão aptas a se reproduzirem.

Distribuição e subespécies: Ocorre em todo o continente Americano, incluindo todo o Brasil, exceto nas regiões densamente florestadas da região amazônica. De acordo com Konig & Weick (2008) são reconhecidas 5 subespécies de T. furcata:
  • Tyto f. furcata: ocorre nas ilhas de Cuba, Cayman e Jamaica no Caribe. 
  • Tyto f. contempta: ocorre nos Andes do oeste da Venezuela e Colômbia. 
  • Tyto f. hellmayri: ocorre no leste da Venezuela (incluindo a ilha Margarita) nas Guianas, norte do Brasil, e também nas ilhas de Trinidad e Tobago no Caribe. 
  • Tyto f. pratincola: ocorre no sul do Canadá, nos Estados Unidos da América e também nas ilhas das Bermudas, Bahamas e na ilha Hispaniola (Haiti e República Dominicana). 
  • Tyto f. tuidara: ocorre no Brasil, desde a margem sul do Rio Amazonas até a Terra do Fogo e ilhas Malvinas.
Habitat e comportamento: Espécie muito abundante e amplamente distribuída nas Américas, vive em uma variedade de habitat aberto e semiaberto, encontrada em campos, cerrado, áreas rurais e áreas urbanas. É ativa no crepúsculo e à noite, escondendo-se durante o dia. Em voo, o ventre e cara branca destacam-se quando iluminados; em voo também emite um chamado muito forte e característico, algo como “chraich”, como um pano rasgando.

É uma coruja altamente adaptada em ambientes modificados pelo homem, pode ser encontrada dormindo ou nidificando em torre de igrejas, edifícios e sótão de casas. Durante a noite, pode ser vista voando baixo ou pousada em postes ou mourões de cercas ao longo de estradas.

Possui uma excelente visão noturna, capaz de localizar suas presas na quase completa escuridão. Por isso, muitas de suas presas (roedores e marsupiais) diminuem suas atividades em noites claras para diminuir o risco de ser capturado por uma coruja. A audição também é muito apurada, sendo fundamental na localização de suas presas (através de pequenos ruídos) escondidos na vegetação. Além disso, para garantir uma melhor eficiência na caça, a suindara apresenta penas macias e serrilhadas permitindo um voo silencioso, surpreendendo suas presas.

Movimentos: Espécie residente.

Referências: 
  • Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc. 
  • Konig, C. & Weick, F. (2008) Owls of the world. London: Christopher Helm. 
  • Roda, S. A. (2006). Dieta de Tyto alba na Estação Ecológica do Tapacurá, Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4) 449-452. 
  • Shawyer C (1994). Barn Owl Tyto alba. In: Birds in Europe: their conservation status. Pp.322-323. Tucker GM & Heath MF. BirdLife Conservation Series No. 3. BirdLife International, Cambridge. 
  • Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.
  • Tomé RP (1994). A Coruja-das-torres Tyto alba (Scopoli, 1769) no Estuário do Tejo: fenologia, dinâmica populacional, utilização do espaço e ecologia trófica. Relatório de estágio da Licenciatura em Biologia. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Lisboa. 
  • Yalden, D. W. e P. A. Morris (1990). The analysis of owl pellets. London: Occasional Publications of the Mammal Society no. 13. 
  • Wink et al. (2008). Owls of the world.; Nijman & Aliabadian. 2013. Zoological Science 30: 1005-109.

Fonte..:: Menq, W. (2018) Suindara (Tyto furcata) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/tyto_alba.htm > Acesso em: 28 de Agosto de 2020.




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