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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

EMBARCAÇÕES TÍPICAS PAULISTAS (Batelão Monçoeiro, Canoa de Voga, Catraia, Trainera)

Dos homens dos sambaquis aos dias de hoje onde nosso estado abriga o maior porto da América Latina, vamos conhecer quatro tipos de embarcações típicas de nosso litoral - e interior!



1. BATELÃO MONÇOEIRO

As naus da Ordem de Cristo comandadas por Martim Afonso que aportaram em Cananeia em 1531 e em São Vicente meses depois não foram as primeiras embarcações de São Paulo. Além das expedições de espanhóis, portugueses e franceses tocadas naquelas décadas que passaram por aqui, os próprios nativos já dispunham de seus meios de percorrer os mares do litoral: eram embarcações simples, em geral feitas de troncos de árvores centenárias cujo centro era aberto para permitir o transporte de algumas poucas pessoas.

Os guaianases não desenvolveram muito sua tecnologia náutica, pois, como habitantes da atual Baixada Santista e do Planalto de Piratininga, não havia tantos rios ou canais para serem percorridos ou atravessados ou que isto não pudesse ser feito a pé ou a nado. Tanto eles quanto seus ancestrais sambaqueiros praticavam a pesca, em geral, submarina (através do mergulho) ou através da técnica da puçá - uma rede fixa instalada próxima a praia, até hoje utilizada em algumas comunidades tradicionais.

Mais tarde, estas embarcações foram aperfeiçoadas, ganhando um desenho mais amigável e sendo utilizadas pelos bandeirantes (que tinham em sua maioria sangue guaianá) na exploração do interior do continente através dos rios. Ficaram cada vez mais finos - o que diminuia seu peso e aumentava sua capacidade e velocidade - e ganharam uma borda de madeira para reforçar o casco. A partir do século XVIII, os chamados "batelões" foram utilizados nas famosas monções: partindo do porto de Araritaguaba, em Porto Feliz, as expedições fluviais percorriam mais de 3 mil quilômetros até a cidade de Cuiabá, que vivia o auge de seu ciclo do ouro.

Cada batelão tinha em média de 12 a 13 metros de comprimento e de 5 a 6 centímetros de espessura, com capacidade para em média 10 pessoas e 4 mil quilos de carga. Um exemplar da época, encontrado durante um trabalho arqueológico em 2010 está em exposição em Porto Feliz; outro, encontrado parcialmente, pertence ao acervo do Museu Paulista.

2. CANOA DE VOGA

Enquanto que a tradicional canoa guaianá foi levada ao interior e evoluiu para o batelão monçoeiro, em nosso litoral oceânico ela tornou-se a canoa de voga. Estas possuem um desenho ainda mais evoluído, com mais curvas, proa e popas mais elevadas para facilitar a transposição das ondas e quilha para aumentar a velocidade. Estima-se que tenham chegado ao desenho atual por volta do século XIX, quando chegaram as primeiras colas e lixas de fácil aquisição e baixo custo que facilitaram um acabamento mais aperfeiçoado.

O processo de construção inicia-se quando um tronco de árvore de grande porte - em geral guapuruvu, cedro ou jequitibá - é derrubado pelo vento ou chuvas e acaba indo parar na praia. Em seguida, o mestre canoeiro utiliza um enxó (espécie de machado) para talhar as formas gerais da canoa, que é preparada para receber o acabamento fino com o acerto de superfícies em sua forma definitiva. Por fim, é totalmente lixada e pintada em geral com cores vivas, colorindo o nosso litoral. Inicialmente movidas a remo como as canoas guaianás e os batelões monçoeiros, a partir do século XIX algumas receberam velas, especialmente àquelas utilizadas em viagens mais longas. Mais recentemente, outras receberam motores a combustão, demonstrando a enorme versatilidade deste tipo de embarcação.

A canoa de voga é um dos principais elementos da cultura caiçara, que habita o litoral de Paranaguá a Paraty - em geral comunidades isoladas, que vivem da pesca e da agricultura de subsistência. Hoje, ainda podem ser encontradas em grande número em locais como Cananeia e Ubatuba, mas é em Ilhabela onde são mais utilizadas. A comunidade caiçara da Praia do Bonete, localizada no lado externo da ilha, ainda hoje preserva a tradição de construção das embarcações, conservando uma importante parte da cultura náutica dos paulistas.

3. CATRAIA

Nas primeiras décadas do século XX, o litoral paulista se consolidou como o maior produtor e exportador de banana do mundo. Diversas comunidades caiçaras voltaram suas atenções para o plantio da fruta, que chegou a movimentar a economia de diversas cidades importantes como Peruíbe e Itanhaém. Em diversos lugares, porém, não havia como transportar a produção por terra até Santos, único porto com grande calado que permitia a atracação de navios de grande porte que levavam as bananas até a Europa, visto que a Rodovia Rio-Santos só foi concluída na década de 1980; a solução então foi transportá-la por barco.

As canoas de voga eram muito estreitas e não permitiam o transporte de muitas bananas de uma vez; os caiçaras então passaram a construir embarcações ainda de casco raso porém bem mais largas, com desenho mais semelhante aos cascos dos navios. As chamadas catraias utilizavam as mesmas madeiras que suas antecessoras, porém agora cortadas em pedaços menores e coladas ou pregadas.

Durante a construção dos canais de Santos pelo engenheiro Saturnino de Brito no começo do século, houve a adaptação projetual deles para que permitissem a navegação das catraias. Foram construídos também dois locais para atracação dentro da cidade, as Bacia do Mercado (Canal 1) e Bacia do Macuco (Canal 4), sendo a primeira destinada a receber a produção de banana e outros gêneros agrícolas para ser comercializada no Mercado Municipal da cidade e a outra de uso mais particular e familiar, sendo também utilizada pelos pacientes do Hospital Guilherme Álvaro. Atualmente, as duas bacias seguem em operação, e da primeira saem uma travessia feita em catraias até o distrito de Vicente de Carvalho em Guarujá, uma alternativa mais barata e rápida que as barcas de grande porte.

4. TRAINEIRA

A partir da década de 1950, a necessidade de mais alimentos e a popularização de caminhões frigoríficos, geladeiras e freezers ocasionou um boom no setor pesqueiro no país. Além de núcleos menores em Iguape, Cananeia, São Sebastião e Ubatuba, a produção de pescados em Santos alcançou níveis notáveis com a inauguração do Entreposto Municipal de Pesca, do Mercado do Peixe e de diversas fábricas de gelo para embarcações, o que impulsionou a construção de diversas embarcações do tipo traineira nos estaleiros de Guarujá. As diversas cooperativas de pesca geravam milhares de empregos e movimentavam milhões de toneladas de animais ao ano; apenas uma delas, a Nipo-Brasileira, possuía mais de 300 embarcações.

As traineiras em geral possuem um pequeno espaço para o piloto e acomodações para tripulação, porões para armazenamento dos pescados e guinchos para permitir a pesca de arrasto. Muitas ainda são feitas de madeira, como suas antecessoras, e também pintadas em cores vivas e fortes. Apesar do declínio da pesca paulista a partir da década de 1980, seguem sendo o tipo de embarcação mais popular no comércio de pescados e podem ser vistas em grande quantidade por quem atravessa as balsas entre Santos e Guarujá e em cidades como São Sebastião e Caraguatatuba.



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