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quarta-feira, 22 de março de 2017

Navio Prof. W. Besnard: Indecisão pode levar o navio oceanográfico brasileiro para o fundo das águas de Ilhabela

O desbravador da Antártica

Nunca naveguei nele, mas bem que gostaria. Aquilo não é um barco, é uma lenda náutica. O navio oceanográfico Prof. W. Besnard, assim batizado em homenagem ao russo- francês, Wladimir Besnard; cientista trazido ao Brasil pelos fundadores da USP para organizar, e dirigir, o Instituto Oceanográfico da USP em seus primeiros 14 anos. Tarefa que executou coberto de brilho.

Besnard desde sempre não abriu mão de um navio de pesquisas. Para dar forma ao modelo escolhido pela Universidade de São Paulo, definiram o  estaleiro  A/S Mjellem Karlsen, em Bergen, Noruega, a quem coube o projeto final da embarcação.

..:: Navio foi entregue em 1967
Em 1967, já batizado em homenagem ao seu idealizador, morto pouco antes, ele foi entregue e trazido para Santos.

..:: 23 anos navegando ininterruptamente, mais de 150 viagens, e 50 mil amostras de organismos marinhos
O Prof W Besnard navegou mais de 3.000 dias. Durante os primeiros 23 anos, o navio navegou sem interrupções! Só de Antártica ele acumula seis expedições. Ao todo, foram mais de 150 viagens! 68 diários de bordo para contar a história, ou mais de 50 mil amostras de organismos marinhos coletados, algumas não catalogadas até hoje.

Navio Prof W Besnard, afundando nossa história, imagem do navio Prof Besnard no porto de Santos
Pequeno e bravo

..:: Carreira coroada de sucessos
A carreira do pequeno Prof. W. Besnard foi aquela com que todo mundo sonha: uma carreira de sonhos. Repleta de aventura, expedição, pesquisa,  e muito sucesso.

Quantas teorias, e descobertas científicas, não foram gestadas em seus porões?

..:: Navios são como gente: envelhecem
Apesar da vida gloriosa, os barcos são como  gente: envelhecem. O ferro perde a briga para a ferrugem; os eletrônicos são substituídos. E a gente vai tocando, fingindo não ver a decadência. Até que algum dia alguém decide: “não dá mais”, “chegou ao seu final”.

..:: Crueldade: determinar a morte de um navio
Esta crueldade, determinar o fim da vida de um navio na base da eutanásia,  acontece com grande frequência. Mas quando envolve  algum “conhecido” a gente sente.  Relembrando a história do barco, suas épicas viagens, o caso muda.

Navio Prof. W. Besnard escreveu lindos capítulos das história náutica brasileira

Com a aproximação da aposentadoria, anunciada no início de 2016, o Prof. W. Besnard deixa de ser um simples navio. Torna-se  um nostálgico capítulo, dos mais bonitos e importantes, de nossa história náutica.

O comando

O final, indigno de sua importância, se aproxima
Numa traiçoeira tarde, de novembro de 2008, um incêndio irrompeu num dos camarotes do navio,  fundeado na Baía de Guanabara. Não houve vítimas, e os próprios tripulantes controlaram a situação. Mas o incêndio, no navio que por mais de 45 anos serviu a Universidade de S. Paulo, pôs o ponto final em sua história. Mesmo assim ele continua vivo. De acordo com informações, e fotos, de amigos que visitaram o Besnard recentemente,

a casa de máquinas está em perfeito estado. Motores, geradores, tudo funcionando. E nem uma gota de água nos porões do navio.

Casa de máquinas com equipamentos em bom estado

O Besnard está na UTI, à espera que desliguem os aparelhos que o mantém vivo

Aspecto interno

Como demonstram as fotos, apesar da idade o “coração do Besnard”, a casa de máquinas,  parece em bom estado apesar de, externamente, ele estar mal tratado.

O porão do Besnard

..:: Possibilidades do destino
Uma, era que o navio virasse atração no Museu Marítimo do Valongo, um acanhado museu de Santos. A ideia não teria vingado pela “dificuldade de tirar o Besnard da água e coloca-lo num berço em terra firme”. Um valor ridículo, que bem poderia ser coberto pela prefeitura de Santos.

Outra, mais exótica, foi doa-lo ao Uruguai, onde seria remodelado e voltaria à pesquisa. Ainda não foi desta vez. Leva-lo ao Amazonas? Até isso foi cogitado, além da possibilidade de retalha-lo, e vende-lo aos pedaços.

..:: Decisão adotada: afundar o Besnard
Mas a solução mais votada parece ser afunda-lo na região da Ponta da Sela, litoral sul de Ilhabela. E ali, numa profundidade entre 20 e 25 metros, esperar que seu casco seja colonizado para, aos poucos, se transformar em um novo habitat marinho. Seria um destino menos cruel que o retalhamento mas, na opinião do Mar Sem Fim, ainda assim seria um duro golpe final para o icônico navio.

..:: Porque não deixa-lo seguir sua linda história de pesquisa e ensino, tornando-o um museu?
E esta, por acaso, não seria a melhor oportunidade para contar nossa bonita história na Antártica? Transformando o Besnard em museu flutuante, o navio continuaria vivo, servindo o Brasil, ensinando às futuras gerações como foram nossos primeiros passos no ‘Continente Gelado’. Mas, para isso, é preciso uma mobilização pública, negociação com o prefeito de Ilhabela, e montagem de um grupo capaz do necessário financiamento para a  transformação.

..:: A USP e o navio Prof. W. Besnard
A USP conta atualmente com dois navios oceanográficos: o Alpha Crucis, entregue em 2012, e o Alpha Delphini, no ano seguinte. Segundo Frederico Brandini, diretor do Instituto Oceanográfico da USP, o IOUSP, entrevistado pelo Mar Sem Fim

"todos queriam que o navio se transformasse em Museu, mas não encontramos interessados. Por isso tiramos todas as peças importantes como timão, lanternas, instrumentos de navegação, livros de bordo, fotografias, e levamos para o Museu do Instituto Oceanográfico da USP. O único interessado na carcaça do navio foi o prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci, que ainda esta semana deve assinar o termo de doação junto à direção da USP."

..:: Custo mensal é de 25 mil reais
O custo mensal de manutenção do Besnard é de cerca de 25 mil reais, basicamente o salário da tripulação, e o custo de um vigia permanentemente a bordo do navio  atracado no porto de Santos.

É um valor alto para uma Universidade que sempre tem limitações de verba

..:: Prefeito de Ilhabela promete rebocar o Besnard em, no máximo, seis meses
Segundo Brandini, Toninho Colucci, prefeito de Ilhabela, pediu seis meses para rebocar o Besnard para seu destino final: o afundamento na Ponta da Sela.

..:: Não basta afundar de qualquer jeito
Para aqueles que não se conformam com o destino do Besnard ainda há tempo para transforma-lo em Museu flutuante. Projeto mais caro que o afundamento, que também demanda custos consideráveis. É preciso preparar o navio, limpa-lo por dentro, retirar uma série de peças, fazer um projeto, ter aprovação do EIA RIMA, etc. Não se trata de um simples afundamento. Há um protocolo internacional a ser seguido, providências que ainda não foram tomadas pela Prefeitura de Ilhabela.

Portanto, ainda há tempo para mudar seu destino. Dependeria de um acordo com o prefeito, um levantamento de custos para mante-lo flutuando, mais os custos de manutenção, pintura, eventuais reformas internas. O projeto exigiria a concordância do tresloucado Toninho Colucci, um político que já deu provas de não valorizar nosso patrimônio náutico; e a fundamental participação da iniciativa privada.

..:: Transformar o Prof. W. Besnard em Museu
Infelizmente o “Brasil deu as costas para o mar”. Não valorizamos nossa extraordinária herança náutica; nas escolas ou faculdades, a saga ultramarina portuguesa não merece o devido destaque, o brasileiro comum mal a conhece; não cultuamos a mentalidade marítima. E isso dificulta o projeto.

..:: O Mar Sem Fim se dispõe a ajudar caso queiram lutar pelo Museu flutuante
Esta ignorância de nossa dependência marítima, desde 1500 até hoje, torna a missão de transformar o navio Prof. W. Besnard em Museu flutuante uma tarefa quase impossível, uma proeza em época de crise. Mesmo assim se alguém, ou algum grupo, se propor a organizar a alternativa, desde já conte com o apoio do Mar Sem Fim.

Seria uma bela herança às futuras gerações, e um sinal de respeito, de mudança de mentalidade marítima.

Vamos à luta?

Fonte..:: Mar Sem Fim







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