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sábado, 17 de outubro de 2015

Estudo: A Imagem do Brasil no Exterior e sua relação com o Turismo

Por..:: Renato Marchesini

A falta de organização em “nossa casa” é um dos principais problemas que contribuem para manchar a imagem do Brasil no exterior. 

Nosso País e nosso povo continuam sendo conhecidos no mundo por suas Praias, Sol, Alegria, mulheres Fáceis, Eterna Diversão, Cordialidade e, é claro, Futebol e Samba. E seus produtos de exportação conhecidos ainda são o café e a banana.


Desde a sua descoberta até o século XIX, predominou uma imagem associada à grandeza de território, abundância de vida selvagem e sensualidade como dotes naturais, graças aos relatos que começaram pela carta de Pero Vaz de Caminha e outros tantos viajantes e colonizadores que por aqui passaram. 

Apesar dos primeiros documentos terem sido escritos por europeus, a literatura, arte, cultura e música são passados aos outros países por brasileiros assim como os grandes problemas sociais: violência, miséria e desigualdade social.

Assim se destaca o desenvolvimento da vida urbana, malandragem, jeito brasileiro, indolência, musicalidade e cordialidade, e isto não é apenas pensamento do estrangeiro, mas uma visão projetada pelos brasileiros.

1.Literatura

Desde o século XIX, a literatura brasileira é marcada pela denúncia à hipocrisia e desigualdade social, e belas fantasias de amor.

As Mulheres: ora, belas, sensuais, sedutoras, fatais e dominadoras, ora, submissas e sem valor.

“Suas musas parecem se fundir às belas imagens e fragrâncias da natureza”. Escreveu Gonçalves Dias, - A Canção do Exílio, obra-prima de nossa literatura.
José de Alencar (O Guarani, Iracema, Lucíola, Senhora e Gaúcho), Machado de Assis (Dom Casmurro, Quincas Borba, e outros), Bernardo Guimarães (Escrava Isaura) e Jorge Amado (Gabriela, Cravo e Canela, Tieta do Agreste” e Dona Flor e seus Dois Maridos)

Gilberto Freyre - escreve em trecho de Casa-Grande & Senzala: O ambiente em que começou a vida brasileira foi de grande intoxicação sexual. O europeu saltava em terra escorregando em índia nua. Os próprios padres da Companhia precisavam descer com cuidado, se não atolavam o pé em carne. 

Sua obra polêmica relata, claramente como eram tratados os escravos, sobretudo, as mulheres que tinham que se prestar a todo tipo de serviço.

Também a vida da classe média urbana é retratada nas crônicas de Luiz Fernando Veríssimo. Revelando as contradições amorosas, sexuais, espirituais que se prestam à tragédia humana. Nelson Rodrigues escreve obras polêmicas, que fazem sucesso também no teatro como: Vestido de Noiva e Toda Nudez será Castigada.

Sofrimento do povo: universo rural em declínio ou já desaparecido. Correspondem a uma impugnação da realidade fundiária, opressiva e excludente.

José Lins do Rego (Coronéis, Bangüê e “Fogo Morto), Érico Veríssimo (O tempo e o Vento), Graciliano Ramos (Vidas Secas), e Jorge Amado (Capitães de Areia, o País do Carnaval, Ciclo do Cacau, Terras do Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus).

Na literatura brasileira contemporânea vamos encontrar a partir da década de 50, escritores como João Cabral de Melo Neto com a obra Morte e Vida Severina; mostra a miséria do nordestino; Ferreira Gullar, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, e o principal assunto abordado é a tristeza e a solidão de quem deixa a terra natal, para viver nas grandes cidades, sobretudo os que fogem da seca do Nordeste. 

E assim tantos outros que escreveram, sofrimento de ex-escravos ou seus descendentes, do Nordeste e seu povo.

Muitas obras literárias se transformaram em filme ou telenovela, fazendo com que estas ficassem conhecidas, não só no Brasil, mas, no mundo, assim como seus respectivos escritores.

2. Cinema

Carmen Miranda foi um ícone do período. - A artista saltou do teatro para o cinema, estreando com “Down Argentine Way”, em português “A Serenata Tropical”, um fracasso em Buenos Aires. Os estereótipos mostrados nos filmes produzidos pelo cinema comercial americano, mostravam os preconceitos em relação à América Latina. Confundir tango com rumba era deselegante e ao mesmo tempo misturar o decantado clima europeu de Buenos Aires com noches calientes de Havana ou do Rio de Janeiro era desconsideração até mesmo com a geografia.

Outro ícone da cultura brasileira, responsável pela imagem do Brasil, lá fora é Zé Carioca, uma criação da empresa de entretenimento Walt Disney, que mostra o carioca como malandro, que com pouco trabalho, muita música e dança, faz trapaças e leva vantagens sobre as pessoas. Nas histórias do personagem, ele prefere passar horas elaborando algum plano ou se dar bem e passar a perna nos outros sem nenhum esforço. Divulga uma imagem simplista de que todo carioca é malandro e não gosta de trabalhar. 
O personagem brasileiro é um papagaio verde, falastrão, simpático e malandro, vestido com fraque, guarda-chuva e chapéu de palha inspirado num tipo popular do Rio de Janeiro na década de 40 – “o Dr. Jacarandá”. A música “Aquarela do Brasil” se consagra nesta época. 

O polêmico filme “Turistas”, em que seis jovens vêm passar férias no Brasil e acabam assaltados, drogados e vítimas de uma quadrilha de tráfico de órgãos, acompanhado de pesadas críticas.

Grande quantidade de produção nacional de pornochanchada. 
O Pagador de Promessas - é a primeira indicação ao Oscar como filme estrangeiro, e ganha a Palma de Ouro de Cannes, mostra, no entanto, um retrato do Brasil de pobreza e ignorância de seu povo.

Surgem: Carlota Joaquina, Central do Brasil, Carandiru, Cidade de Deus, Tropa de Elite, Meu nome não é Johnny, Ônibus 174 - filmes que retratam a pobreza e a violência.

Como se vê, nestes exemplos, uma imagem é formada, envolvendo a assimilação de informações verdadeiras ou não, sobretudo por quem não conhece o país.
Entre os estereótipos reforçados pelo cinema existe aquele que o Brasil é um “local de fuga”. Que tem a imagem de abrigo da contravenção internacional, que é a representação urbana do Brasil com: a mulata, o sambista, o malandro, permeados de problemas sociais como drogas, prostituição, violência, a polícia e delinquência infantil.

3. Carnaval, samba e axé

O carnaval também é associado à liberação sexual, nestes dias se esquece os demais problemas existentes no país, são quatro dias de total loucura, para o estrangeiro: 96 horas de total frenesi. 

A cobertura dada pela imprensa falada e escrita a este evento revelam um Brasil exótico e erótico, já que se preocupa em mostrar a sensualidade e a luxúria para obter maior audiência, assim como fazem jornais e revistas com fotos e reportagens a respeito do Carnaval. Assim a sensualidade, a música, a dança e os mais íntimos desejos se realizam durante o carnaval e no Brasil, sobretudo na cidade do Rio de Janeiro, maior cartão-postal do país, a imagem de um paraíso onde tudo é permitido é a que se sobressai.

Mas, a despeito disto, o Carnaval é uma festa onde pode se aprender muito, para muitos participantes das escolas de samba é uma indústria onde se trabalha o ano todo para em fevereiro ver sua escola desfilar e mostrar o trabalho de milhares de brasileiros, verdadeiros artistas na confecção de fantasias e carros alegóricos, sem citar o samba-enredo e todas as alas ou grupos que compõem a apresentação. É um verdadeiro espetáculo de cores e brilho passando pela avenida chamada de “Sambódromo”.

No Rio de Janeiro acontece na Avenida Marquês de Sapucaí e em São Paulo, na Avenida Olavo Fontoura, no Anhembi. Em outras cidades menores, existe o carnaval de rua, em todo o Brasil. Na Bahia, na cidade de Salvador, em Recife e Olinda, no Pernambuco existem os trios elétricos, que são caminhões adaptados com som que desfilam pela avenida, levando o povo que nestes dias são chamados de foliões.

Outro espetáculo, mostrado por todas as escolas de samba, no Rio de Janeiro e em São Paulo é a tradicional Ala das Baianas e o carro principal da escola que traz seu nome, o Abre Alas, entre outros grupos, são expressão da alma brasileira, mostrando criatividade, inventividade e trabalho coletivo, para a realização desta festa tão grande que é o Carnaval. 

4. Futebol

Quanto ao futebol, ainda é o melhor do mundo, segundo alguns comentaristas esportivos nacionais ou estrangeiros. Ele é razão de orgulho nacional. É perfeitamente natural querer preservá-lo.
Sempre somos lembrados por nossos craques – Pelé - o maior jogador de todos os tempos, Garrincha, Romário, Rivaldo, Ronaldinho, Cacá e outros.

5. Outros

Nos guias de turismo encontram-se informações a respeito da violência no Brasil e que isso acaba gerando uma imagem negativa do país O Rio, de Janeiro, hoje é uma cidade violenta, os guias alertam para que os turistas evitem a cidade e para o fato de que o país não preserva seu patrimônio. 

Em reportagens a respeito do Carnaval, jornalistas incluem uma espécie de guia para o turista que queira enfrentar os quatro dias de folia, dando conselhos a serem seguidos; explica o que é o sambódromo; melhores dias e horários para ver os desfiles; preços; aconselha que o turista saia às noites, sem documentos, joias ou valores. 

O turista que viaja para a Amazônia, é proposto um guia com informações, do qual faz parte um pequeno dicionário onde explicam o que é rede de dormir, pororoca, caboclos, garimpo, borracha e oferece conselhos como: não confiar demais nos serviços turísticos da região; levar consigo uma rede de dormir e uma tela para mosquitos; levar soro antiofídico, calçar sapatos de cano alto e impermeáveis; vacinar-se contra malária e febre amarela, entre outros. 

O brasileiro é visto como espertalhão e o comércio é uma organização que visa capturar o turista a qualquer custo, todos estes discursos são pertinentes à realidade brasileira embora inibam o número de turistas. Reportagens na televisão mostram turistas sendo roubados e espancados ou ainda sendo enganados na hora de comprar uma simples cerveja ou um souvenir.

Para Refletir: 
Jornal Folha de São Paulo, 10/02/2012.

6. Conclusão

A imagem do Brasil se resume a estereótipos criados em função da falta de uma política estratégica para o turismo e problemas sociais que existem.

Para que o Brasil passe a ter boa imagem, precisamos mudar a realidade!

O Brasil não é um país pobre, mas tem um número excessivo de pobres. O fato é que essa desigualdade social gera, além de violência, outros problemas sociais: prostituição infantojuvenil e turismo sexual, considerados crimes. 

Sem dúvida uma situação constrangedora para um país como o Brasil com tanta riqueza natural e cultural para ser explorada. 

Devemos manter nossa casa arrumada, não somente nossa moradia, mas, também nosso bairro, nossa cidade, nosso estado e nosso país... Temos visitantes ávidos por nos conhecer, conhecer nossa cultura, pessoas, cores e belezas: os turistas, que vão aqui deixar um pouco de conhecimento e bastante dinheiro, fazendo nossa economia crescer, gerar empregos e desenvolver o país como um todo.

Isto é o pouco que cada um de nós pode fazer para melhorar a imagem do nosso país, há muito que fazer; investir na educação, não apenas ensinando um novo idioma, mas, noções de cidadania, civismo e apreço ao meio ambiente e desde já salientar o valor do turismo, do bom atendimento e o valor de ser um bom profissional, porque o Brasil está carente disto.

As mudanças devem partir da nação, não devem ser representadas por algumas campanhas publicitárias, filmes, anúncios em revistas e shows de samba no exterior. A solução é uma política de valorização da cultura, minimização dos problemas sociais e a criação de infraestrutura para receber o turista.

Torna-se evidente que devemos melhorar a imagem do país, esta é uma obrigação de todos brasileiros, pois o Brasil não é formado apenas por seus governantes. Muitas vezes repetimos que o Brasil não é só Carnaval, mas o que tem sido feito para provar isso?

Nossa literatura urbana quase não se contempla, nossa realidade industrial, cultural, universitária, sociológica, aparentemente pouco interessa. Devemos nos envergonhar disso. Culpa nossa que exportamos demais caipirinha, mulatas, favela e futebol; tudo ótimo, desde que isso não seja tudo

Pudemos concluir que, apesar de o Brasil ser tão rico, o próprio brasileiro não tem acesso ou conhecimento dessa riqueza e diversidade, por falta de interesses, oportunidades ou até mesmo condições financeiras; já que acabar com a desigualdade social, a corrupção e a violência, é motivo citado por muitos brasileiros, quando questionados a respeito do que deve ser feito para melhorar o país e sua imagem. 

O produto Brasil é mal explorado, carente de estruturas e características que o tornem competitivo no mercado turístico, mas também, possui uma civilização e uma história, ainda que não se compare à França ou Espanha. 

Limitar a promoção turística a somente um ou dois aspectos de nossa realidade cultural significa limitar segmentos de mercado que poderiam atrair outros aspectos da oferta turística nacional.

Não há razão para não se promover no país também o folclore, as festas típicas, as danças populares, artesanato típico, etc... 

O Ministério do Turismo tem trabalhado nesse sentido nos últimos anos, porém uma política de melhoria da qualidade de vida da população, diminuição da violência, valorização do patrimônio histórico-cultural além de ações de marketing público se fazem necessário para que um dia a imagem do Brasil mude para melhor.

Afirmo!! Somos sim, o país do futuro e também do presente!


Fonte..:: Apostila Gestão de Empreendimentos Turísticos – Versão 6 – Renato Marchesini, 2015


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