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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Entrevista: O Protetor da Floresta

O Sr. Eduardo Cardoso de Melo protege uma área natural de 270 hectares, dentro da maior metrópole brasileira 
Créditos imagem..:: Villy Ribeiro

Os olhos de um permaneceram fixos no olhar do outro, por cerca de três minutos, em uma mistura de medo, admiração e respeito. Ela, uma legítima onça-parda (Puma concolor) com passos decididos pela floresta; ele, um ex-delegado aposentado que resolveu dedicar parte de sua vida à conservação de uma área natural. O encontro – raro – entre a ‘dona da floresta’ e seu protetor aconteceu há mais de 20 anos, mas está entre as memórias que o Sr. Eduardo Cardoso de Melo guarda com carinho. 

De fala calma e pausada, o ‘Seu Eduardo’, como é conhecido, conta que sobreviveu ao encontro inesperado pelo respeito mútuo entre o homem e a natureza. De fato, respeitar e amar o meio ambiente, no caso dele, vem de longa data. Já na adolescência, percorria com o pai essa mesma área onde encontrou a onça, para plantar árvores e aproveitar o ambiente natural. 

Na época, ainda começando a aprender a respeitar a fauna e a flora típicas da Mata Atlântica preservada no local, o jovem Eduardo mandava um recado ao Seu Eduardo do futuro: “já nas primeiras vezes que passei pela propriedade, lembro de dizer para mim mesmo que se um dia eu tivesse filhos, eles teriam que ter a oportunidade de ver aquela mata preservada”. 

Os filhos vieram, São Paulo se transformou em uma das maiores metrópoles do mundo, o bioma Mata Atlântica foi reduzido a cerca de 8% de sua cobertura original e a Fazenda Nossa Senhora da Piedade continua ali. Com 270 hectares de área natural preservada, a propriedade é uma das 14 contratadas do Projeto Oásis São Paulo, da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Localizada na área de entorno do Parque Nacional da Serra do Mar, na Área de Proteção Ambiental (APA) Capivari – Monos, a fazenda protege 42 nascentes e mais de 20 km de rios. 

Os números demonstram que Seu Eduardo conseguiu cumprir o acordo da juventude. Confira na entrevista abaixo o recado de resposta que esse senhor de 78 anos tem para dar ao jovem que um dia se comprometeu a preservar esse pedacinho verde de São Paulo. 

O que a propriedade Nossa Senhora da Piedade representa para o senhor?
Representa muito para mim. Esta fazenda é muito importante em minha vida. Além de crescer em meio a essas árvores, vi meu pai dedicar parte de sua vida à manutenção dessa área. Sinto como se ela fosse um filho para mim, que dá bastante trabalho, mas muitas alegrias também. É realmente como se eu fosse o protetor dessa floresta, pois ela precisa de bastante cuidado e atenção integral diante de tantas ameaças.

Quais ameaças, por exemplo?
Quando falo dessas dificuldades, estou me referindo a todas aquelas forças que ameaçam grandes propriedades com vegetação nativa que se localizam relativamente próximas de áreas comerciais. Sei que outros proprietários do Projeto Oásis também têm suas lutas individuais e aqui as pressões são muitas. Existem pessoas que entram para caçar, carros que atravessam as estradas de acesso em uma velocidade muito alta e atropelam animais, como é o caso dos jipeiros; além de palmiteiros e arrebatadores de pássaros que entram escondido para agredir a floresta. É triste, mas não me desanima. A natureza aqui é dura na queda, como eu. [risos] 

E como essa natureza que é dura na queda entrou em sua vida?
Meu pai comprou essas terras dos descendentes herdeiros do capitão João Pedro Celestino, que foi um dos voluntários da pátria na Guerra do Paraguai. Já no começo da história, essas terras serviram a um ideal nobre: foram doadas por D. Pedro II como agradecimento aos heróis dessa guerra, entre eles o capitão Celestino, que adquiriu os lotes recebidos por outros combatentes que não tiveram interesse nas terras. Essa área resistiu a muitas gerações.

O senhor mantinha um blog com relatos sobre a Fazenda Nossa Senhora da Piedade e em um dos posts comentava sobre “nova fase” da propriedade. Como foi exatamente que ela começou? 
Eu me emociono bastante lembrando disso. Considero como nova fase o momento que vivemos a partir de 2008, quando a Nossa Senhora da Piedade passou a ser uma propriedade contratada do Projeto Oásis. Foi uma fase bastante difícil, pois eu estava com muitas dívidas adquiridas, o que dificultava continuar mantendo a fazenda. Lembro que a luz no fim do túnel surgiu quando minha esposa leu no jornal sobre o Projeto e me avisou, assim que cheguei em casa de uma viagem. No mesmo momento, liguei para a Fundação Grupo Boticário, que me atendeu super bem, mas informou que o prazo de cadastramento havia terminado no dia anterior. Durante a conversa, demonstraram interesse na minha participação, sugerindo que eu aguardasse a abertura do próximo período de inscrições, que aconteceria em um ano. Foi exatamente o que fiz; segurei as pontas no campo financeiro e, em 2008, assinamos nosso primeiro contrato coma Fundação, com validade até 2011, quando pudemos renová-lo para até o final de 2013. Desde então, tivemos muitos progressos. 

Então essa premiação financeira foi importante para a manutenção da área?
Foi de vital importância. Sem ela, provavelmente eu teria tido muitas dificuldades para conservar essas terras e mantê-las comigo, afinal o custo é bastante alto. Com os recursos do Projeto Oásis, pude fazer pequenas melhorias na propriedade de modo a garantir a segurança e a manutenção dessa área natural. Aliás, eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para mais uma vez agradecer a todos da Fundação Grupo Boticário por esse trabalho incrível. Eu tenho um carinho especial por essa propriedade, por sua natureza e por tudo que vivi aqui, por isso tenho tanto respeito por todos da Fundação. Afinal, foram eles que nos últimos cinco anos me ajudaram a permanecer aqui, preservando tudo e tendo novas histórias para contar. 

E para terminar, o Senhor não gostaria de compartilhar com a gente uma dessas histórias?
Você vai precisar sentar [risos], pois tenho muitas histórias boas que passei aqui. Bom, você sabe, eu já tive estive frente a frente com uma onça-parda, que inclusive é o animal símbolo da cidade de São Paulo. Esse momento foi muito gratificante e muito especial, mas existem outros menores e que valem muito a pena também. Já vimos uma anta dar cria perto da nossa sede, uma família de monos-carvoeiros passeando, além de flagrar tamanduás, tatus, veadinhos-campeiros e muitos pássaros. Esses pequenos acontecimentos mostram que estamos no caminho certo. Você me pediu para contar uma história, a história é essa mesmo, um homem que sempre procurou fazer o certo, inclusive pela natureza e que encontrou uma ajuda valiosa nessa busca. A parte mais bonita da história está preservada aqui na propriedade, quem quiser conhecer, está convidado.


(recicle suas idéias, papo de biologia)





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