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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Artesão em Praia Grande: Madeira velha e troncos viram móveis e obras de arte


Por..:: Eduardo Brandão

Seria uma manhã ensolarada de um domingo qualquer, com ida à igreja e brincadeiras típicas de criança, se não fosse por um único detalhe, Sob a sombra de uma árvore e em cima de panos ordinários, Francisco de Assis Carvalho, hoje com 54 anos, mas na época com 10, descobriu seu primeiro amor: a arte de entalhar madeiras.

O divisor d'águas foi responsável pela formação de sua personalidade, e deu a ele um sagrado ofício com o qual foi capaz de prover o sustento de sua família e formar três filhos. “Vi um artesão vendendo santos de madeira. Fiquei encantado com aquilo”, relembra, com os olhos cheios de lágrimas. Acanhado pela pouca idade e,provavelmente por isso, encorajou- se: “O senhor me ensina a trabalhar com a madeira?”, perguntou o jovem ao antigo artesão de Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde nasceu. 

Aos 54 anos, ele nem pensa em aposentar: seu sonho agora é dar aulas gratuitas a jovens carentes

“Você lê professor na minha testa?”, teve como resposta. Mais uma vez, a pouca idade pesou em seus ombros. Triste com o posicionamento daquele que acreditou ser seu futuro mestre, foi para casa desanimado. “Não esperava que ele fosse ser tão rude assim.” 

Ao ver o garoto amuado pelos cantos, sua avó perguntou o que se passava. Antes mesmo do relato chegar ao fim, ela olhou fundo nos olhos do jovem e perguntou: “Quer mesmo  aprender a ser artesão?”.

..:: O começo 
Tão breve ouviu o sim sair da garganta do neto, ela reuniu meia dúzias de ferramentas, pegou uma velha mesa esquecida no quintal e a depenou. Com as velhas ripas, Francisco deu seus primeiros passos na arte de entalhar, esculpir e moldar. Ofício que ele não esconde o orgulho de ser o mesmo aprendido (e executado) por Jesus Cristo, há mais de 2 mil anos. Bastaram poucas semanas de dedicação e paciência para Francisco colocar na madeira representações de santos católicos e de Cristo crucificado. “Quando já tinha um bom volume de material, quase todos ainda em estudo, minha avó mandou que eu fosse à frente da igreja para mostrar o que tinha feito.”

Temendo possível retaliação do velho artesão que todos os dias vendia sua arte aos fiéis da paróquia, o garoto quase recuou. “A minha avó dizia que eu precisaria da aprovação das pessoas para saber se valia a pena aquilo pelo qual tinha me dedicado tanto.”

E deu certo. Em poucos minutos, a produção de semanas passaria a enfeitar altares e lares de dezenas de devotos. Todos os objetos foram vendidos em sua primeira (de muitas) feiras populares. 

..:: Um mestre 
“Quando estava indo embora, o artesão me chamou de canto. Pensei que fosse brigar comigo”, recorda. Para surpresa do garoto, o velho mestre do ofício o parabenizou e mostrou o desejo de continuar a ensinar a arte de esculpir madeiras. “Às vezes um ‘não’ nos leva a lugares que não chegaríamos se fosse fácil. Talvez se ele tivesse aceito meu pedido inicial, teria desistido na primeira dificuldade”, acrescenta.

Depois desse episódio, os dois se tornaram amigos de longa data. “Eu o entendi. Ele me deu a maior lição que pude aprender na vida”. 

..:: Arte em madeira 
Mais de quatro décadas depois, Francisco é referência em arte na madeira em Praia Grande. “As pessoas me perguntam se é possível sustentar a família com o meu ofício.  Digo que sim. Acredito no trabalho sério, na dedicação e no amor naquilo que a gente faz”, ensina o artesão. “A felicidade não está em acumular patrimônios, mas em viver daquilo que se gosta”.  Nenhum pedaço sequer de madeira vai para o lixo no ateliê-marcenaria de Francisco, na Avenida Roberto de Almeida Vinhas, 1.400, na Vila Guilhermina. 

Toda matéria-prima é aproveitada ao máximo. “Quando vejo uma pedaço de madeira ou tronco de árvore já me vem na cabeça o que vou fazer.”E sempre faz. Ele argumenta que o segredo é estar atento ao formato original e respeitar os contornos e pequenos defeitos de cada peça. Assim, rachaduras, nós e manchas tornam se parte decorativa de mobiliário único, que ao mesmo tempo é útil e embeleza o ambiente. “Quando vejo qualquer madeira na rua, seja de demolição ou troncos de árvores aparada, tento pegar. O que é lixo para muitos, para mim é arte.”

Fonte..:: A Tribuna

(recicle suas idéias)







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