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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aula Téorica de Uso Público em UC - Manejo de Trilhas

Por..:: Renata Antunes da Cruz e Renato Marchesini

1. Uso Público em UC - MANEJO DE TRILHAS

A principal função das trilhas sempre foi suprir a necessidade de deslocamento. No entanto, as trilhas surgem como novo meio de contato com a natureza. O ato de caminhar e observar ou contemplar  as paisagens que o caminho proporciona, adquire na pós-modernidade um significado que vai além do ato de caminhar, mas chegar em algum lugar diferente de quando começou o caminho.

A maior parte das trilhas hoje utilizadas em ecoturismo são caminhos tradicionalmente usados por determinadas comunidades para se locomoverem. Desde a  ocupação portuguesa, ainda no Brasil colônia os portugueses utilizavam os caminhos abertos pelos indígenas para alcançarem o interior do país; assim também os bandeirantes em busca do ouro ou os tropeiros que cruzaram o sul do país.

Nos casos de unidades de conservação como parques, geralmente há potencial e necessidade de mais de uma trilha. Mesmo que já haja várias trilhas em uso, a adequação e melhoria de trilhas existentes, e especialmente a abertura de novas trilhas, devem ser precedidas de um planejamento conjunto de toda a área, como um sistema de trilhas. Assim, é possível propiciar um acesso a uma diversidade de públicos-alvos e a maior variedade de ambientes e atrativos da área, com possibilidade de realizar atividades diferentes sem que haja sobrecarga do ambiente ou conflitos entre visitantes devido aos objetivos de uso diversos.

Toda a trilha deve ser planejada em termos de finalidade, construção, segurança, conservação  e manutenção, requerem estudo técnico do local e da destinação do seu uso. Não podemos ignorar que as áreas naturais estão regidas por Leis e Condutas Conscientes que orientam o uso e/ou manejo dessas áreas e que deste  produto final interessa ao ecoturista, não só o atrativo propriamente dito, mas principalmente o prazer da caminhada,  a segurança, a qualidade e a informação no sentido de uma educação ambiental informal ou mesmo uma prática didática na natureza. 

Manejo deriva da palavra de língua inglesa “management”, manejo quer dizer gerenciar ou administrar. Assim, manejar uma área é administrar seus recursos.

6.1. Quanto a Função:
As trilhas são utilizadas de diferentes maneiras, uma delas em serviços administrativos – normalmente realizados por guardas ou vigias, em atividades prioritárias de fiscalização e patrulhamento (a pé ou a cavalo) ou pelo público visitante em atividades educativas e/ou recreativas.

As trilhas podem ser subclassificadas quanto aos recursos de interpretação ambiental de duas maneiras: guiadas ou autoguiadas (Rocha et al., 2006):

a) Trilha guiada: é aquela realizada com acompanhamento de um guia/condutor, tecnicamente capacitado para estabelecer um bom canal de comunicação entre o ambiente e o visitante, oferecendo segurança a todos na caminhada.

No entanto, a trilha guiada, necessita da presença de recurso humano treinado, no caso, um condutor de trilha ou um guia de turismo ecológico, ou melhor ainda que este guia seja um interprete da natureza, pois além de  proporcionar ao visitante , informações básicas sobre o local ,  paradas técnicas  estratégicas com objetivo de  descanso, registro fotográfico e observação da paisagem ele irá contribuir para um melhor experiência deste visitante.

b) Trilha autoguiada: permite o contato do visitante e o meio ambiente sem a presença de um condutor de visitante. Recursos visuais, gráficos e outros orientam a caminhada, com informações de direção, distância, grau de dificuldade, elementos a serem destacados (árvores nativas, plantas medicinais, ocorrência de comunidades de animais, etc.) e os temas desenvolvidos (mata ciliar, recursos hídricos, raridade geológica, indicações arqueológicas, etc.). IMPORTANTE: Necessidade de se planejar, implantar e monitorar primeiramente o sistema de trilha guiada.

1.1. O Planejamento:
O planejamento de uma trilha deve levar em consideração diversos fatores.

a) Aspectos Ambientais
Dentre os ambientais destaca-se, basicamente, solo, flora, fauna e os recursos hídricos.

a) Aspectos Sociais
Os sociais estão ligados ao visitante e a comunidade local.

b) Aspectos Históricos e Atrativos
Ruínas, pinturas rupestres, histórias, paisagem (É a composição de todos os elementos de um local e determinará a atratividade numa trilha. Sendo assim, é importante, que na implantação que se busque o máximo possível de diversidade de paisagens, pois a repetição pode tornar o percurso monótono).

1.2 Quanto a Forma:
  • Circular
  • Oito
  • Linear
  • Atalho.

1.3. Levantamento e Mapeamento:
  • Metragem
  • Direção (traçado)
  • Declividade.

1.4. Obras / Intervenções:
  • Clareamento
  • Regularização/Pavimentação
  • Degraus e Escadas
  • Ordenamento da Drenagem
  • Ultrapassagem de Corpos d’Água
  • Contenção de Encostas
  • Outros: Agarra artificial, Corrimão, Guarda-corpo, Mirante, Passarela.

1.5. Sinalização:
Os tipos de sinalizações consideradas são:
  • Painéis e Placas
  • Totem
  • Fitas
a) Alguns dos objetivos da sinalização:
_ Indicação de acessos;
_ Indicação de limites;
_ Orientação da circulação interna de veículos e pedestres;
_ Indicação de serviços, equipamentos e infra-estruturas;
_ Delimitação de espaços para usos específicos;
_ Orientação de segurança do visitante;
_ Informação de normas e regulamentos;
_ Informação de horário de funcionamento;
_ Informação de tarifas e
_ Interpretação ambiental.

b) Orientações gerais para sinalização:
 _ Planejamento (necessidades, público-alvo)
_ Padronização (material, tamanho, cor, fonte, linguagem);
_ Utilização de linguagem simples e direta;
_ Dimensionamento adequado (pedestre, proximidade, velocidade);
_ Localização estratégica;
_ Não-utilização excessiva de placas (poluição visual);
_ Não-utilização de mensagens longas;
_ Não-utilização de cores fortes;
_ Utilização de painéis interpretativos;
_ Utilização de símbolos e imagens;
_ Complementação de informações com materiais impressos (guias, folhetos, mapas).

Assunto polêmico:
_ Não-utilização ou camuflagem de materiais artificiais (cimento, ferro, plástico);
_ Utilização de materiais naturais locais e duráveis (madeira, pedra);

1.6. Ferramentas e Acessórios:
As ferramentas usadas deverão variar de acordo com o tipo de trabalho necessário. Deve-se sempre ter a ferramenta adequada para cada tipo de tarefa.

Os instrumentos utilizados tanto na implantação quanto na manutenção de trilhas não variam muito; em ambos os casos deve-se sempre levar um kit de primeiros socorros.

1.7. Organização da Equipe de Trabalho:
O mais importante nas atividades de planejamento e implantação de trilhas é o bem estar e segurança do pessoal envolvido.

Deve-se estabelecer um plano e uma dinâmica de trabalho, onde as funções de cada um devem ser bem especificadas, incluindo a definição de responsável pela equipe.  O registro das atividades e relatórios sistemáticos são de grande valia para eventual acompanhamento e avaliação.

Equipamentos de segurança, incluindo vestimentas e certos produtos como repelentes, protetor solar e labial, entre outros devem ser alocados e sempre disponibilizados.

Treinamentos complementares como: manuseio, conservação e transporte de ferramentas e equipamentos; primeiros socorros; busca e resgate, etc. devem ser sistematicamente conduzidos para todos os membros da equipe.

1.8. Capacidade de Carga:
A Capacidade de Carga é um conceito que se utiliza para determinar o nível de atividade humana que um local pode receber sem que haja efeitos adversos à comunidade residente ou na qualidade da experiência dos visitantes. “Em outras palavras”, dizem os autores, “capacidade de carga é a característica e quantidade de pessoas que um local pode suportar, por um determinado período de tempo, sem causar danos ao ambiente, ou na satisfação do usuário.”.

1.9. Monitoramento do Impacto de Visitação
A implantação e utilização de trilhas devem-se ao uso legítimo dessas áreas para fins de lazer e recreação. Sendo assim, monitoramento de impactos é a ferramenta que os gestores têm para analisar e avaliar o nível dos impactos decorrentes da visitação e assim tomar decisões de manejos preventivas e corretivas.

CONCLUSÃO:
Quando bem elaboradas, conseguem promover o contato mais estreito entre o homem e a natureza, possibilitando conhecimento das espécies, animais e vegetais, da história local, da geologia, da pedologia, dos processos biológicos, das relações ecológicas, ao meio ambiente e sua proteção, constituindo instrumento pedagógico muito importante.

Fonte..:: Apostila Manejo Sustentável e Conservação Ambiental versão1
Docente: Renata Antunes da Cruz.

(ecoturismo, papo de biologia, mineralogia)



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