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terça-feira, 29 de maio de 2012

Matérias Antigas do Itabatatinga em Santos SP - Roteiro Turistico Encantos de Itabatatinga Santos SP

No sábado dia 20/03/2010, foi exibida entrevista na Rede Globo com a Dra. Erika Marion Robrahn-González, sócia diretora da empresa DOCUMENTO Patrimônio Cultural.

A entrevista foi transmitida na Rede Globo, às 7h00 no programa Globo Universidade, às 13h00 no programa Globo News, e no dia 24/03 às 13h00 no Canal Futura.

Na ocasião falou-se de sua carreira e experiências ao longo do seu trabalho, e os mais de 300 projetos concluídos com sucesso. Fez-se também uma explanação de como são desenvolvidas as ações com a comunidade dentro das pesquisas, resultando no desenvolvimento de uma Ciência Aplicada, levando a um tratamento integrado dos resultados científicos com os saberes tradicionais e estabelecendo uma relação de complementaridade entre Ciência e Tradição. O principal objetivo e desafio é fazer um elo de ligação entre o passado e presente, contribuindo para o fortalecimento da herança cultural da comunidade, em especial, na valorização de sua diversidade.
 
A entrevista se deu com diferentes cenários, onde foi possível analisar os variados momentos da história e do patrimônio cultural da Baixada Santista, incluindo sítios arqueológicos do tipo sambaquis, o antigo engenho Itabatatinga (ruína histórica contendo inclusive uma senzala com elementos ainda intactos como grilhões de escravos presos à parede), entre outros.



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Publicado em 24/3/1983 no jornal A Tribuna de Santos
Por..::  Leda Mondin (texto) e equipe de A Tribuna (fotos)

As margens do Rio Busca-Vidas, com seus barcos atracados e a sombra de muitas árvores se destacam como um recanto pitoresco

O mundo apresenta dessas contradições: regiões que foram habitadas há muitos séculos e que, pela lógica, deveriam evoluir em termos de ocupação, se encontram quase vazias e em completo esquecimento. Isso acontece no Vale do Rio Diana, onde ruínas comprovam a presença do homem por lá, possivelmente no início da colonização.

Mas a história desse período se perdeu no tempo. Sabe-se apenas que, há uns 10, 15 anos o Vale se destacava por produzir toneladas de banana para exportação. Hoje, porém, os sítios que o integram estão pouco cultivados e cuidados. Entre eles, deve-se destacar o Sítio Itabatatinga, onde restam vestígios de construção milenar e um tradicional alambique, do tipo cebolinha.

No passado, a propriedade se estendia por 20 alqueires, mas atualmente se resume a nove. Com a divisão das terras, deixaram de fazer parte de seus limites dois pontos bastante pitorescos: a Fonte dos Amores e a Gruta Esteves.

Na Fonte dos Amores, muita água geladinha, leve e cristalina

Fabricar uma boa pinga, tradição que se mantém

Os mais românticos vão adorar a idéia: beber água da Fonte dos Amores. Os mais aventureiros na certa se entusiasmarão com a possibilidade de se ocultarem sob um enorme abrigo, que a natureza deve ter levado milhares de anos para moldar. E os mais interessados em história gostarão de observar vestígios de antiga construção, quem sabe regados pelo suor de negros escravos.

Todas essas coisas estão concentradas em uma área muito sossegada, que se estende entre morros e um rio, sem poluição e com poucos indícios da presença humana. Uma área onde se respira ar puro, bebe-se água cristalina nascida entre pedras e se constata a variedade da fauna e da flora.

Estamos falando da região do Itabatatinga, um dos muitos sítios espalhados pelo Vale do Rio Diana. Sítios que se encontram praticamente abandonados, mas já despontaram como locais importantes do País na época em que a exportação de banana representava uma grande fonte de divisas.

Quando a comercialização do produto entrou em crise, outro não foi o destino do Vale do Rio Diana. Hoje dá para se contar nos dedos o número de pessoas que vivem e tiram seu sustento daquela planície que em outros tempos se agitava ao ritmo do trabalho sempre intenso.

Uma gruta e uma fonte: principais atrações da caminhada inicial - Embora se conheça dados do passado recente da região, o que aconteceu por lá em época mais remotas permanece como uma grande incógnita. A única certeza é que a ocupação data de centenas de anos atrás. As ruínas do Sítio Itabatatinga comprovam: já havia gente por aqueles lados no tempo em que o cimento não passava de uma mistura de restos de concha com óleo de baleia.

Para quem não sabe, o Itabatatinga fica na região continental de Santos, às margens do Rio Busca-Vidas (um braço do Rio Diana) e a uns 50 minutos do Largo do Canéu. Para se chegar até ele por via marítima, só mesmo utilizando-se embarcações pequenas: a ponte existente sobre o Rio Diana, ao longo da Rodovia Piaçagüera-Guarujá, é muito baixa e apenas embarcações pequenas, do tipo canoa, passam sob ela, conforme as marés.

Por via terrestre, parece bem mais fácil: basta pegar a Estrada Piaçagüera-Guarujá e entrar num caminho à esquerda, após uns 500 metros do Rio Diana, sentido Guarujá. Mas, o carro não avançará muito além dos primeiros metros desse caminho. O jeito é ir a pé.

A caminhada, porém, já se constitui num grande passeio: à direita de quem segue, surgem as encostas de um morro baixo, que quebra a monotonia do relevo e, à esquerda, se destaca a vegetação que enfeita as margens do Rio Busca-Vidas.

Os que gostam do contato com a natureza se admiram diante da composição bonita dada pelos bambuais, jaqueiras, goiabeiras, pé de cambuci e tantas outras árvores generosas em frutos e flores. De repente, a uns 10 minutos de andanças, a gente depara com a Gruta Esteves, conforme indica a inscrição feita com capricho na própria rocha.

Trata-se de um enorme bloco de pedra, com um corte abrupto em uma das faces que deveria tocar o chão, formando em conseqüência uma espécie de gruta. Quem se vê lá não resiste: olha a estrutura sob diferentes ângulos e tenta entender como a natureza conseguiu formar aquele abrigo natural.

Se estiver fazendo muito calor, ninguém vai querer abandonar a sombra gostosa que a gruta proporciona tão cedo. E se a sede aperta, nada de apuros: um pouco mais à frente, e bem oculta no meio da mata, está a Fonte dos Amores.

Por uma tubulação, instalada não se sabe por quem, jorra uma água cristalina, geladinha e leve. Mesmo nos dias quentes, não diminui o volume de água, sempre abundante. E não é só esse detalhe que chama a atenção, pois tudo à volta evidencia a força e a beleza da natureza: a fonte e o barulhinho da água correndo o tempo todo, as folhagens, as flores e as árvores, com seus galhos entrelaçados, dando idéia de uma caverna. Um local e tanto para bons momentos de descanso.

Caiu a produção de banana e os sítios ficaram abandonados - Depois de uma paradinha na Fonte dos Amores, dá para se continuar a caminhada sem maiores atropelos. A casa-grande do Sítio Itabatatinga surgirá metros adiante, em meio a pés de cana, bananeiras, bambuais e outras árvores que garantem sombra e um ventinho gostoso.

De longe a gente nota a fachada altiva e a rigidez da construção. E, depois de uma observação mais detalhada, se encontra paredes com cerca de oitenta centímetros de largura, edificadas com pedras de proporções bem grandes. Em que época teria sido erguida?

A atual proprietária da casa, dona Herminda, não faz a mínima idéia. Seus filhos, Alfredo e Ana Aparecida, tampouco. Alfredo revela apenas um detalhe interessante: meses atrás, um escritor esteve no sítio tentando descobrir detalhes da vida de um pintor espanhol. Segundo afirmou o escritor (Alfredo não sabe dizer o seu nome), o pintor veio para o Brasil como agricultor, trabalhou muitos anos no Itabatatinga e fez várias paisagens mostrando aspectos do local.

No mais, Alfredo se lembra da fartura, da produção em larga escala que seu pai vivenciou. Na época boa mesmo, como diz ele, retirava-se daqueles nove alqueires de terra dois mil cachos de banana por mês. Os sítios vizinhos não ficavam para trás e o Rio Busca-Vidas estava sempre repleto de chatões carregados do produto. Nesse período nasceu o nome Busca-Vidas: os homens faziam as barcaças deslizar sobre as águas com a ajuda de enormes varejões. Vez ou outra algum se desequilibrava, caia na água e não voltava mais. O rio que, parecia tão calmo, tragava muitas vidas.

Hoje, a produção de banana do Sítio Itabatatinga não ultrapassa 200 cachos a cada 15 dias. Na propriedade ao lado, a situação não difere muito: apenas quatro empregados e uma média de 80 cachos por semana. Em resumo: as plantações são mantidas apenas para não deixar a terra de todo improdutiva e cheia de mato.


  A natureza moldou o rochedo de modo a formar uma enorme gruta

De Itabatatinga se vê o Centro, mas não se ouve o seu barulho - Apesar de o Itabatatinga ser uma propriedade particular, dona Herminda e os filhos já se acostumaram a ver pessoas estranhas rondando por perto, desfrutando das coisas boas que o lugar oferece. Acostumaram-se em termos: dona Herminda acha que os visitantes lhe tiram um pouco do sossego.

Afinal de contas, dona Herminda não abandonou o sítio, mesmo com a queda da produção, justamente porque quer tranqüilidade. Desde que se mudou para lá, em 1967, saiu poucas vezes. E, a cada saída, não se conforma com o barulho, o corre-corre, o alvoroço de pessoas e carros pelas ruas de Santos.

No sítio, dona Herminda recebe água de graça dentro de casa, oferecida pela natureza; faz o seu próprio pão, sem bromato de potássio, e até assiste à televisão porque dispõe de um gerador próprio de eletricidade. Mais: se orgulha ao dizer que mora no meio do mato, mas anda bem informada porque não deixa de ouvir o noticiário das rádios.

Ela só teve sua rotina quebrada no ano passado (N.E.: 1982), em agosto, quando a empreiteira Nativa, contratada pela CESP, andou fazendo estragos por lá, durante serviços de infra-estrutura para instalação de uma torre de energia.

Para chegar com suas máquinas até o local, a empreiteira destruiu uma porteira, uma antiga instalação de água e derrubou parte do arvoredo que garantia sombra para os animais que dona Herminda cria. Pior: usou até dinamite para abrir enormes buracos, nos quais seriam introduzidas as sapatas da torre.

A cada nova explosão, voava pedra para tudo quanto era lado, perfurando o telhado da casa-grande e do galinheiro. Dona Herminda vivia escondida no porão da casa, mãos na cabeça, desesperada. À noite, mal conseguia dormir de tão assustada.

Mesmo diante das insistentes reclamações, a Nativa nada mais fez do que alguns reparos de emergência. Não cobriu a maior parte dos prejuízos, embora tenham se passado sete meses. Só mais um detalhe: a CESP desistiu de instalar a nova torre, depois de toda aquela bagunça.

Tanto dona Herminda como Alfredo ficam revoltados quando se lembram de tudo isso. E logo avisam os visitantes para tomarem cuidado com os enormes buracos que restaram, muito mal cobertos. Justamente no morrinho onde estão tais buracos, se tem uma das mais belas vistas do sítio. Do sítio e de tudo à volta, porque dá até para se avistar um pedacinho de Santos, ao longe, e se distinguir perfeitamente os contornos do Monte Serrate.

A pessoa vê Santos, mas não ouve nem um pouco do barulho da civilização e tampouco percebe a correria que a agita dia após dia. O mundo é bem outro, colorido pelas árvores e pelas penas dos periquitos, tucanos, jacus, tiés, sanhaços e sabiás. Mas os curiós desapareceram. Os tempos não estão mais para eles?

O Alfredo não sabe dizer. O que ele sabe bem é transformar cana em uma pinga das boas, dessas branquinhas, que misturadas ao cambuci viram um licor dos melhores. Conserva um alambique, do tipo cebolinha (como os que ainda existem no Morro da Nova Cintra), em perfeito estado, e vez ou outra fabrica alguns litros do chamado morrão: é uma exclusividade dele para os amigos da casa.


 Lazer e recreio, como antigamente

Beleza natural, nenhum vestígio de poluição, muito espaço livre e tranqüilidade. Essas características cada vez mais raras no mundo de hoje levaram a historiadora Wilma Teresinha de Andrade a dizer que o Sítio Itabatatinga pode representar uma nova opção de lazer para os santistas. Ela esteve lá no ano passado (N.E.: 1982), durante pesquisas para elaboração do Diagnóstico Turístico de Santos, se entusiasmou com o que viu e sugeriu ao secretário de Turismo, Francisco Céspedes, a realização de um projeto turístico para a área.

Embora tenha apresentado essa proposta, Wilma Teresinha sabe que a concretização esbarra em uma questão fundamental: tanto o Itabatatinga quanto o sítio vizinho, onde ficam a Fonte dos Amores e a Gruta Esteves, são propriedades particulares. Mas, conforme deixou claro em relatório encaminhado ao secretário de Turismo, tudo seria solucionado mediante contrato entre a Prefeitura e os proprietários.

Quanto ao acesso, ela sugere a transformação do caminho que leva aos sítios em estrada e, por último, fala na necessidade de implantação de uma infra-estrutura turística, como melhoria das áreas de lazer, atendimento no setor de alimentação, telefone, sanitários e oferecimento de barcos para passeio no Rio Diana.

Se a Prefeitura realmente decidisse investir no projeto, o Sítio Itabatatinga voltaria a ser um local de descanso e lazer, como o foi no início do século (N.E.: século XX). Segundo apurou a historiadora, de 1930 a 1935 a chácara pertenceu a João Esteves Martins - que, nos fins de semana, levava dezenas de pessoas para fazerem piqueniques lá.

O pessoal preparava o almoço e o servia na Gruta Esteves, em mesas de pedra. "Às vezes até 100 pessoas compareciam, conforme se vê em fotografias tiradas desde 1902", afirma Wilma Teresinha, lembrando que pessoas importantes foram fotografadas, entre elas Luís de Arruda Castanho, Stockler de Lima, comendador Alfaia Rodrigues, Álvaro Pinto Novaes e Maurício Lang.

João Esteves Martins mandou gravar a inscrição Gruta Esteves e, ainda, Fonte dos Amores - 1900, junto às pedras da fonte de água pura e cristalina. No local, abriu uma pracinha, circundada com bancos, que não existem mais.


 Do alto tem-se uma boa idéia do tamanho da casa-grande, erguida sobre restos de construção secular

 Ruínas, um mistério

Como tantas outras, a história das ruínas do Sítio Itabatatinga se perdeu no tempo. Ninguém sabe dizer em que época teria sido iniciada a construção: apenas se pode constatar que a casa hoje existente foi edificada em diferentes períodos e se ergue sobre paredões seculares.

Ao examinar o imóvel, a historiadora Wilma Teresinha de Andrade descobriu quatro tipos diferentes de paredes. Em uma delas aparecem vestígios de conchas, "mas um trabalho mais fino do que aquele de outras construções antigas, como Engenho dos Erasmos e Casa do Trem". Largura da parede: 80 centímetros.

Em outra parte, se depara com paredes de pedras e pedaços de tijolos, vestígio de técnica antiga. Aparecem ainda paredes de tijolo, de largura comum e, por fim, paredes divisórias de madeira.

Wilma Teresinha de Andrade apurou apenas alguns outros detalhes complementares: a parte térrea da casa era "a senzala" e o filho de antigo proprietário viu nela catres de madeira, com encosto para a cabeça, como se fosse um travesseiro, também de madeira.


 Diferentes tipos de parede indicam as diferentes fases de construção


Fonte..:: Novo Milênio  

(ecoturismo, turismo, fatos_históricos, fotos_antigas)

Conheça matéria recente de Itabatatinga..:: Site Prefeitura de Santos / Blog Caiçara


Para Conhecer os Encantos de Itabatatinga



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